
Uma notícia de grande destaque esta semana na mídia é a respeito da reintegração de posse de uma área pertencente a uma empresa de ônibus da capital paulista, que foi “invadida” tornando-se uma favela de nome Olga Benário e, até ontem, abrigava mais de 800 famílias.
Diversos fatos chamaram minha atenção neste triste episódio de nossa história, posso começar pela maneira dos nossos mais importantes jornais de nos passar a notícia: “Moradores resistem à reintegração de posse na Zona Sul de SP” (Portal G1); “Cerca de 800 famílias se recusaram a sair de terreno invadido há dois anos e enfrentaram a tropa de choque da Polícia Militar, que cumpria a ordem de reintegração de posse” (Jornal Nacional); e etc.
Fiquei muito assustada ao ver as fotos, vídeos e depoimentos da população “resistente”. Idosos, doentes físicos e mentais, crianças tentando salvar umas as outras, me senti assistindo a um filme de guerra, que possui aquelas cenas atrozes que nos fazem sofrer e agradecer aos céus por isso não existir mais ou aqui no Brasil, é... era isso que eu pensava...
O que muito me assusta é o pensamento que a mídia tenta (e consegue, vide comentários de leitores na internet) instalar nas cabeças brasileiras. Somos levados a ver todas as situações do lado do poder. Um grande empresário tinha um terreno que foi invadido. Querendo de volta o que é seu, entra na justiça para reavê-lo, ganha a causa, deseja a retirada da população que, rebelde, nega a saída. Quanta injustiça com este empresário, e que brutalidade desta população!
E se tentássemos olhar pelo outro lado. O lado de um cidadão que não tinha onde morar e via um terreno lá, vazio, abandonado. Com esforço, ergueu uma casa para si, tentando dar abrigo aos seus (reitero a palavra casa, porque, o que chamamos de “barracão”, é a única casa de grande parte dos brasileiros). Levou a mãe, a esposa e filhos. Após algum tempo, o dono desta terra (vale lembrar que é uma empresa, nem mesmo uma pessoa física) decide que quer o terreno de volta e que, se ele não sair, terá sua casa demolida. Você aceitaria sem resistir?
Não cabe a mim, nem a você, discutir se todos ali assentados têm esta história que “criei” acima. Como alguns justificam, pode sim haver pessoas de má fé, que são “contratadas” por grileiros ou qualquer outro caso contado por aí, mas continuo acreditando que deve ser a minoria, já que estamos falando de 800 famílias, e prefiro não tomar uma pequena parte pelo todo.
Para finalizar, escutei um comentário de Ricardo Boechat da Rede Band News e achei curioso. O nome da favela, Olga Benário, refere-se a uma alemã militante comunista, esposa de Luiz Carlos Prestes, que após ter lutado pela população brasileira foi entregue (grávida) por Getúlio Vargas aos braços de Hitler, acabando em uma câmara de gás. Parece-me um representativo nome para os injustiçados.