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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

La douleur

E essas coisas que doem, machucam, dão náuseas, angústia e aperto no peito?
O que a gente faz delas?
Tentar resolver me parece o mais lógico a se fazer.
Se, por exemplo, o meu pé dói porque tem um espinho, tiro o espinho e espero sarar o machucado para desaparecer a dor. Simples.
E quando a dor no pé não é um simples espinho? É algo além, que mesmo após várias análises, descobre-se que pelo menos, no momento, não há como resolver?!
Isso sim dói. Pela própria dor e pela desesperança que a acompanha.
Acho que nessas horas temos que aceitar um espinho irretirável no pé, tentar ao máximo não lamentá-lo e andar pra frente, sempre, ainda que mancando um pouco.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Às Flores que Ofertamos..



"Quem esteve aqui
Viu barquinho de gazeta
Ancorar no mistério

Notas musicais
Dentre bolas de sabão
que de nossas serenatas vieram

Flores que ofertamos
e que nunca morrerão
em vasos e jarros se bronzeiam
Os anjos de onde vem
sua vida
bem-vinda
a trilha
Os livros não são sinceros
Quem tem Deus como império
No mundo não está sozinho
Ouvindo sininhos"

Magamalabares - Carlinhos Brown

Fonte da foto: www.olhares.pt

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Falando nisso...

O Leão e o Ancião

Caído no meio da escuridão

Recentemente abatido, ferido mortalmente

Onde estará minha mente?

Estarás doente? Ausente?

Sem perceber, eu era a caça!

Que caçava sem piedade...

Que desejava que fosse minha vez

De alimentar alguém com sangue, com carne, com espírito...

Não havia esperança, mas eu não desistiria.

Como um leão solitário, a vagar na penumbra da noite,

Sem medo algum de um impossível inimigo...

Medo sim, de acordar só mais uma vez...

E assim vagava eu por um deserto...

Infinita escuridão, com seu fim tão próximo...

Foi como o Sol, colorindo meu mundo no alvorecer,

Tocando meu corpo levemente como a seda,

Esquentando progressivamente como o fogo em uma noite fria,

E, de repente, havia vida no deserto!

A caçada chegou ao fim!

Enfim livre das grossas cordas da solidão? Será que amarrado novamente em uma paixão?

Cessaste a torturante agonia de um andarilho? Iniciaste a tão desejada aventura?

Ou seria apenas mais uma vítima, como eu?

Seriam as cores uma alucinação?

Causadas por um forte químico? Ou por uma química forte?

Será que viverei sempre um jogo? Onde não há ganhadores, somente perdedores?

A questão é elementar... é no que deseja-se acreditar...

Mesmo que a dor seja o troféu...

Mesmo que eu caia novamente na fria noite...

Mesmo que volte a perambular pelas penumbras de um fétido subúrbio...

Tomarei o perfume dessa flor! Beberei seu néctar como saliva...

E abraçarei como se fosse minha aquela vida!

Me entregarei como fazia para com a noite fria...

Tomarei essas cores para mim!

Que caia a noite agora, para um dia cair a noite sem fim.......

Rodrigo Amaral Bonatti

Em alguma manhã de maio...


PS: Não sei a sensação de ser poeta, mas adoro ser a musa inspiradora de um (rs)