quarta-feira, 30 de junho de 2010

Eu desejo...........

Com créditos para a Tha, que me mandou esta linda poesia, que não deve ser só lida (ou ouvida), mas também sentida:



Desejo
Victor Hugo

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,

Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e

É preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.

E se tudo isso acontecer,

Não tenho mais nada a te desejar.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Tomando coragem...


"Você que reclama da vida
Mas que não se intimida
Quando vai trabalhar
Você que não perde o sorriso
Mas não sabe o motivo e nem quer suspeitar
Mulher ta virando cachaça
Eu até acho graça
Precisa se recuperar
Larga essa vida
Chuta esse balde
Joga esse prato no chão
Vira esse copo..."
Salamaleque - Orquestra Imperial
Foto: olhares.pt

domingo, 6 de junho de 2010

Mais valeria??

Perdi minha mais valia!!
Vendi, assim, a preço de banana!
Agora pronto, fiquei sem, e que falta ela me faz...
Era com ela que eu podia ler bons livros, aprender coisas novas...
Ver novela! Eu sei que é fútil, mas aquela hora sem pensar em nada me valia tanto...
Depois que me tomaram minha mais valia, cuidei menos do meu corpo e da minha alma!
Valia-me tanto antigamente, quando eu tinha mais tempo para meus amigos, família, noivo...nem sei onde estão alguns deles hoje.
Devo declarar também que com minha mais valia em mãos alheias, não estou conseguindo planejar meu casamento, escolher apartamento ou enxoval... Será que os donos temporários dela vão me valer uma ajuda?
E estudar? Esse era um plano que tinha muito valor continuar... mas sem minha mais valia comigo, sem chances!
Será que teria mais valido a pena eu ter continuado com ela em mãos?

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Muita gente esquece..


Erótica é a Alma

Já não repito cem vezes que o amo,


nem preciso de beijos de longa duração.

Falo do meu amor neste olhar cheio de luzes e desejos.

A você, entrego minhas mãos quentes ainda da última carícia, para que sejam seu alento e seu descanso.

Eu o amo em orações de proteger e afastar as possíveis dores diárias para que ande pelo mundo com passo de criança descuidada e feliz de tão amada.

Digo que o amo com outras vozes e palavras de amar das suas músicas

que escolho para afugentar seu cansaço.

Digo que o amo quando me jogo em seus braços e,

desfazendo a ausência, você chega e me olha

com jeito de menino e o aroma da distância.

Sinto que o amo (você sente também)

ao acolher seus sonhos e emprestar meu coração

para o acalanto que todo sonho novinho

necessita para sair e ser.

Afirmo o meu amor todos os dias

com o meu corpo cheiroso, minha alma rendida

e meus pés tocando os seus

em nosso adormecer de apaixonados.

Adélia Prado



 

terça-feira, 30 de março de 2010

Simplicidade


Quero ser do contra hoje!
Não quero concordar com os especialistas em auto-ajuda, que nos incitam a querer sempre mais. Não podemos nos contentar com pouco. Buscar sempre nos superar, melhorar de vida, de emprego, de apartamento, de carro, e por aí nossa mente doente se desenrola em melhorar de parceiro, de amizades, de pai, de mãe, de irmão, de cabelo, de barriga, de nariz...
Eu, com todo meu conhecimento de psicologia adquirido na faculdade de engenharia (cof, cof), proponho o contrário, sem medo de julgamentos!
Quero ser acomodada, de uma vez por todas!
Que se instaure o comodismo!
Que eu consiga ver na minha vida as pequenas coisas boas que ela me traz, sem apontar o tempo todo o que me incomoda, nesse desejo incessante de mudança.
Ao dizer tudo isso não quero que você, caro leitor, se acomode com sua vida e pare de tentar lutar por algo melhor, não, não é isso.
Só quero gostar de todos ao meu redor, vendo o lado bom que cada um me mostra.
Sentir-me feliz ao ir trabalhar, ainda que não seja o emprego dos sonhos.
Ficar alegre com um e-mail, uma mensagem de alguém de longe, sem me frustrar pois esperava algo maior.
Comer arroz e feijão, sem desejar lagosta.
Acredito que a beleza esteja aí, na simplicidade da vida.
A sofisticação complica.
Acomodada? Sim. E com muito orgulho.

Foto de Filomena Galego (www.olhares.pt) - " Oxalis pes -caprae", não, não é um trevo de quatro folhas. Mas pra mim, já tá bom...

terça-feira, 9 de março de 2010

Cenas diárias


Ele chegou ao escritório, pôs o paletó na cadeira, deu um tímido “bom dia” e sentou-se, a espera das ordens diárias de seu chefe.

Não tardou muito. O segundo dissertou durante alguns minutos sobre tudo o que queria naquele dia, cobrando o que deveria ter sido feito nos anteriores. Tais atividades poderiam receber diversos adjetivos, dentre os quais “agradável” não se encontrava.

Com as mãos na cabeça, transformando o discurso do chefe em lista, teve um súbito desejo de desistir, simplesmente não quis mais nada daquilo. Olhou para o computador que recebia e-mails inúteis, sentiu o frio do ar condicionado que secava seus olhos, escutou conversas que não lhe diziam respeito de pessoas que não o respeitavam. Pensou em como seria mais esse dia, lembrando de como foi cada um desde que começou a trabalhar ali, viu tudo como num filme, igual dizem que nos acontece na chegada da morte.

Com os olhos vermelhos, gritou. Direcionou-se ao chefe, mas quis e conseguiu com que todos escutassem. Falou das tarefas tolas que tem feito, que não o permitem mostrar seu talento e capacidade. Reclamou da ignorância com a qual muitas vezes era tratado. Ofendeu a competência de todos seus superiores, sem exceção, apontando erros gerenciais e técnicos. Apontou defeitos que o irritavam em todos seus colegas e no ambiente físico em que trabalhava. Pegou a pasta e o paletó e disse o melhor “até logo” de toda a sua vida, aquele em que esperava que o “logo” fosse “nunca”.

Piscou de repente, balançou a cabeça, voltou à realidade. Lembrou como pagava suas contas. Ainda com as mãos na cabeça, lembrou com mais dificuldade que o habitual qual seria o próximo item de sua lista diária.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Pesado






Que semana densa!

Parece que hoje já é sexta-feira da semana que vem!




Foto: www.olhares.net

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

La douleur

E essas coisas que doem, machucam, dão náuseas, angústia e aperto no peito?
O que a gente faz delas?
Tentar resolver me parece o mais lógico a se fazer.
Se, por exemplo, o meu pé dói porque tem um espinho, tiro o espinho e espero sarar o machucado para desaparecer a dor. Simples.
E quando a dor no pé não é um simples espinho? É algo além, que mesmo após várias análises, descobre-se que pelo menos, no momento, não há como resolver?!
Isso sim dói. Pela própria dor e pela desesperança que a acompanha.
Acho que nessas horas temos que aceitar um espinho irretirável no pé, tentar ao máximo não lamentá-lo e andar pra frente, sempre, ainda que mancando um pouco.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Às Flores que Ofertamos..



"Quem esteve aqui
Viu barquinho de gazeta
Ancorar no mistério

Notas musicais
Dentre bolas de sabão
que de nossas serenatas vieram

Flores que ofertamos
e que nunca morrerão
em vasos e jarros se bronzeiam
Os anjos de onde vem
sua vida
bem-vinda
a trilha
Os livros não são sinceros
Quem tem Deus como império
No mundo não está sozinho
Ouvindo sininhos"

Magamalabares - Carlinhos Brown

Fonte da foto: www.olhares.pt

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Tolerância



Segundo o Aurélio, a tolerância é “Tendência a admitir modos de pensar, de agir e de sentir que diferem dos de um indivíduo ou de grupos determinados...

Talvez esteja aí a solução para muitos dos problemas da humanidade.

Problemas entre nações, religiões, crenças... Sem ir muito longe, vemos desentendimentos entre pessoas que vivem num mesmo lugar, tem os mesmos credos, mas não conseguem aceitar uma maneira diferente de pensar, nem mesmo de sentir, que é algo involuntário.

Minha proposta de hoje é esta! Tentarmos ser mais tolerantes, percebendo a tolerância em qualquer pequeno momento do nosso dia. Na fila do restaurante, no trânsito, em qualquer conversa que pareça boba, nos pensamentos que dirigimos a outrem... Quem se habilita a tentar comigo??

Só para encorajar:


Tolerância é caminho de paz.
[...] Nos aborrecimentos e provações que te surgem, a cada dia, suporta com humildade as ocorrências suscetíveis de ferir-te, e a tolerância se te fará a trilha de acesso à felicidade, de vez que aceitarás todos os companheiros do mundo na condição de filhos de Deus e nossos próprios irmãos
.”
Emmanuel - Psicografia de Chico Xavier. Da obra: Plantão de Paz


Fonte da imagem: www.olhares.pt